Aires de Lisboa y un fado
"A VOZ JÁ NÃO É VOZ CHAMA-SE
DOR",
'LA VOZ YA NO ES VOZ, SE LLAMA DOLOR'
'LA VOZ YA NO ES VOZ, SE LLAMA DOLOR'
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Fernando Pessoa |
Después oir a Carminho con su Voz:
Às vezes há uma voz que se levanta
Mais alta do que o Mundo e do que nós
E faz chover-me os olhos, quando canta
Num pranto que emudece a minha voz
Afunda-me os sentidos e o tempo
Ao ponto mais distante do que sou
E abraça aquele lugar que, tão cinzento,
Se esconde sob a névoa que ficou
E grita-mo no peito quando sente
Chegar a face triste de um amor
Mais alta do que o mundo e do que a gente
A voz já não é voz chama-se dor.
Mais alta do que o Mundo e do que nós
E faz chover-me os olhos, quando canta
Num pranto que emudece a minha voz
Afunda-me os sentidos e o tempo
Ao ponto mais distante do que sou
E abraça aquele lugar que, tão cinzento,
Se esconde sob a névoa que ficou
E grita-mo no peito quando sente
Chegar a face triste de um amor
Mais alta do que o mundo e do que a gente
A voz já não é voz chama-se dor.
Comentarios
¡y que bonito el fado!
Um verso que não diga por palavras,
Ou se palavras tem, que nada exprimam:
Uma linha no ar, um gesto breve
Que, num silêncio fundo, me resuma
A vontade que quer, a mão que escreve
Un verso que no diga con palabras,
O si tiene palabras que no expresen nada:
Una línea en el aire, un gesto breve
Eso, en un silencio profundo, resuma
¿Será que quiere, la mano que escribe?
Saramago
(O algo así)